Reflexões sobre Reforma e Revolução




Passagem pelas cidades de Eisleben
e Tréveris, onde nasceram Lutero e Marx


Hoje, dia 7 de julho de 2017, me encontro na cidade de Tréveris (Trier), na Alemanha, onde nasceu o Santo Ambrósio (337-397), cujo pai era prefeito nessa cidade, no tempo do Imperador Teodósio (379-395). Hoje, ninguém conhece mais exatamente a casa do nascimento de Ambrósio.

Em compensação, visitei nesses dias a casa do nascimento de Martinho Lutero (1483-1546), em Eisleben, e de Karl Marx, aqui, em Tréveris (Trier). Lutero e Marx não só mudaram a interpretação de seu pais, mas interferiram na história do mundo. O primeiro, como protagonista da Reforma que produziu múltiplas reformas e Confissões mundo afora, o segundo, como pensador da revolução do proletariado e inspirador de revoluções subsequentes.

Ambrósio, Bispo de Milão e Doutor da Igreja, e Lutero, monge agostiniano, historicamente separados por mais de um milênio, tiveram uma fé profunda e uma capacidade intelectual admirável. O discurso de ambos estava permeado por um antissemitismo lamentável.

Casa de nascimento de Lutero
Casa de nascimento de Marx
Marx, filho de um pai que se converteu sob a pressão da Prússia do judaísmo ao protestantismo, foi batizado e casado na confissão do pai. Doutrinas, sejam cristianismos ou socialismos, são facilmente presa do fanatismo de seus adeptos. Poucas palavras como cruzadas e inquisição, Gulag e killing fields comprovam que a consciência absoluta e o monopólio salvífico podem ser absolutamente alienados. Seria ridículo atribuir a Marx os erros cometidos pelos que se consideravam marxistas ou seguidores do socialismo como seria ridículo cobrar a responsabilidade pelo antissemitismo ou pela inquisição de Jesus Cristo. Porém, nem Reforma nem Revolução, nem Lutero nem Marx foram imunes contra a cegueira de seu tempo e abusos de seus seguidores. A verdade, que carregamos em vasos de barro “exige, nas circunstâncias atuais, uma profunda humildade social” (Evangelii gaudium, 240).


Um comentário:

  1. Aluna esperançosa15 de julho de 2017 00:13

    Excelente texto, sucinto e irretocável. Suscita reflexão sobre as diversas pluralidades - religiosa, ideológica e afins, apontando para a tolerância e convivência respeitosa entre as diferenças, conforme as reiteradas manifestações contidas nos documentos e no magistério do Papa Francisco.
    Nesse mundo conturbado e dividido, que os exemplos do Papa Francisco respeitado e admirado por pessoas de todas as partes, etnias e das diferentes confissões religiosas e ideológicas, floresçam, cada vez mais, mulheres e homens corajosos na promoção da Paz, Justiça e Fraternidade.

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